quinta-feira, 3 de maio de 2012

24 de maio, SANTA SARA KALI

Dia 24 de maio é dia de Santa Sara Kali, a padroeira dos ciganos, cuja história contarei em outro momento. Por enquanto, vou relatar sobre a minha experiência pessoal a respeito da Cultura Cigana.
Recentemente, estive no circo. Enquanto assistia ao espetáculo que envolvia dança, música, acrobacias, equilibrismo, humor, graça, beleza... e outros atributos mais, que agora não me saltam na consciência, pois na memória guardei a emoção daquele momento, pude fazer uma reflexão sobre a trajetória dos ciganos pelo mundo. Me transportando à tempos remotos, fui imaginando como seria viajar numa carroça ou a pé. Sofrer as intempéries do tempo e tudo mais que está condicionado a ele, fugir de perseguições, articular com povos desconhecidos para garantir a sobrevivência, preparar a comida e se preparar para a falta dela, carregar os pertences no corpo de forma a se confundirem com adornos de beleza, experimentar a vida e a morte transportada pelos caminhos onde os ventos podem levar. Diversas situações complicadas podem se apresentar durante esse percurso, mas ainda assim, os ciganos conservam a intensidade das cores, a profundidade do olhar, a postura firme, o fervor das emoções, a alegria na simplicidade...
E assim seguia o espetáculo: uma dançarina demonstrando a elasticidade do seu corpo, outro artista capaz de empilhar inúmeras caixas e por fim subir nelas, palhaços divertidos arrancando gargalhadas da plateia, uma apresentadora sedutora o suficiente garantindo a atenção do público... O pessoal do circo, assim como os ciganos pelo mundo à fora, viajam com seu espetáculo sofrendo as intempéries do tempo, na intensão de desenvolverem seu trabalho e garantirem a sua sobrevivência digna.
Para nós, enquanto platéia, cabe valorizar a arte, o brilho, a expressão. Deixar a fantasia delirar, soltar aquela criança interior que insistimos aprisioná-la. Reconhecer e aceitar a magia da vida, da natureza, da diversidade!
É por isso que escolhi essa dança para me libertar das prisões as quais me coloco - muitas vezes sem querer. Na dança cigana encontrei a alegria, o colorido, o feminino, a possibilidade de ser algo diferente do que o mundo cria como expectativa sobre mim. Se estou triste por alguma razão, ou sem razão nenhuma, posso me expressar de forma livre. A diversidade musical na cultura cigana é tão ampla, por isso encontro espaço para manifestar todos os meus sentimentos. Por tudo isso, sou grata ao que aprendi sobre a Cultura Cigana. Desejo e espero que os ciganos do mundo inteiro sejam respeitados no que tange a preservação da sua cultura, a garantia das suas necessidades básicas, direitos e deveres, assim como todos os seres deste mundo merecem exercer a sua identidade.


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